Coluna Livrística: Orgulho e Preconceito

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Obra que inspirou o famoso longa metragem homônimo estrelado por Keira Knightley, Orgulho e Preconceito há décadas é vendido como uma literatura revolucionária para sua época. Publicado em 1813, na rigorosa sociedade aristocrática inglesa, o livro contém inúmeras referências aos padrões socioculturais da época. Bailes, vestimentas, modos, linguajar, trejeitos, leis e regras de etiqueta têm a visão crítica e detalhista da autora, Jane Austen. A autora, que não havia completado 21 anos ao escrever o romance, diz que Elizabeth Bennet, segunda filha de uma família que possui cinco meninas, é “uma criatura adorável como jamais outra apareceu em letras impressas”. Para quem já viu o filme, sabe que ela possui admirável articulação e os intensos debates entre ela e o Sr. Darcy são potencializados na obra.

A história começa com a discussão entre o Sr. E a Sra.  Bennet. Ela, matriarca da família, só tem um objetivo na vida: casar todas as suas filhas com homens ricos. Para a época, ter as filhas arranjadas, um bom dote e ascensão social eram primordiais, e como não existia nenhum tipo de interação além de cartas, as amizades estabelecidas eram necessárias. Ai de alguém se não fosse apresentado em um baile. Ou se não avisasse de sua visita com antecedência. Os modos e a boa educação eram valiosos, principalmente para uma moça que pensava em se casar.

O Sr. E a Sra. Bennet estão discutindo, então, a compra da casa vizinha pelo Sr. Bingley. A Sra. Bennet, como boa mãe, já pesquisou sobre tudo do rapaz e insiste para o marido lhe fazer uma visita formal de boas vindas. O Sr. Bennet, diferentemente da mulher, não está muito interessado no casamento das filhas. Considera as duas mais novas tolas, adora Elizabeth por sua inteligência e faz de tudo para atormentar a mulher, que se queixa dos nervos.

O que se dá é que toda a família acaba conhecendo Charles Bingley e ele e a irmã mais velha de Elizabeth, Jane, acabam se apaixonando. Com a proximidade dos dois, todos acabam conhecendo o amigo mais próximo de Bingley, o Sr. Darcy. Este jovem, mais rico que seu amigo, alto e bonito, é um dos melhores partidos que já pôs os pés em Meryton. Mas, como não segue a maioria das etiquetas de apresentação, e vive de cara amarrada, obviamente não querendo estar ali, é considerado rude e mesquinho. Elizabeth, com sua sinceridade e opiniões fortes, logo bate de frente com ele. Porém, ao contrário da moça, o sr. Darcy fica intrigado com tamanha personalidade em uma só pessoa, ainda mais vindo de uma família com pessoas tão inferiores, culturalmente falando, como a dela.

Pesquisando, a maioria das edições de Orgulho e Preconceito possui notas de rodapé sobre os diversos costumes da época, tão distantes dos nossos, o que faz o entendimento da obra melhor aproveitado. É preciso, no entanto, um pouco de paciência para realmente pegar o espírito do livro e apreciá-lo em sua totalidade. Tem ótimos debates sobre as normas de conduta da sociedade inglesa, e palavra “orgulho” (já que os protagonistas são bastante orgulhosos) é sempre trazida de volta à discussão. É um romance bem estruturado, com personagens tão próximas da realidade, que cria um envolvimento entre leitor e história como poucos fazem.

 

Author Fernanda Belo

Futura formanda em Letras (oremos). Adepta ao "Vamos fazer um escândalo" da Jout Jout. Não sabe fazer novos amigos nem pequenos resumos sobre si mesma. Tem uma teoria sobre a palavra palmito e sonha frequentemente que está sendo perseguida descendo escadas em caracol

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